Crusoé: Desserviço público
Lobby do funcionalismo trava reforma administrativa, que poderia tornar máquina pública mais eficiente
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tinha como uma de suas principais propostas a reforma administrativa, para tornar a máquina pública no Brasil mais eficiente.
Mas, assim como seu antecessor no cargo, Arthur Lira, suas chances de conseguir o que pretende são mínimas.
A culpa é do lobby do funcionalismo público, um dos mais poderosos em Brasília.
Entre as propostas está proibir a aposentadoria compulsória para juízes
e membros do Ministério Público que cometem faltas graves, mas continuam com seus salários integrais.
Outra exige que promoções ocorram com base em resultados mensuráveis e institui a avaliação periódica de desempenho.
Férias de 60 dias e penduricalhos que extrapolam o teto salarial também seriam canceladas.
“A proposta é uma maneira bastante corajosa para combater os privilégios, os penduricalhos, o racismo orçamentário. Essas são diferentes formas de apropriação dos recursos públicos por uma pequena parcela da elite”, afirma o economista Pedro Fernando Nery, professor de economia do IDP e autor do livro Extremos.
São medidas sensatas para qualquer brasileiro acostumado com o setor privado, mas que os representantes do funcionalismo público acusaram de serem prejudiciais aos servidores, tornando a carreira pouco atrativa.
“O que os servidores estão alegando são argumentos que já foram utilizados em situações anteriores“, diz o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice.
“São argumentos reciclados, que não trazem nada novo“, diz Noronha.
Problemas
A força do lobby do funcionalismo se explica porque esses profissionais públicos, além de terem muito poder econômico, podem criar problemas para os parlamentares.
Entram nesse grupo juízes, auditores da Receita Federal e promotores do Ministério Público.
“Nenhum parlamentar quer ter problema com a Justiça, com o Ministério Público, com a Receita Federal. Essas categorias, sabendo do seu poder de fogo e…
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Comentários (1)
Ita
07.11.2025 15:22A sociedade se tornou refém dessas categorias de funcionários "com PAGAMENTOS" públicos.