CPMI do INSS já sabia sobre caso Ciro Nogueira, diz Carlos Viana
Senador afirma que documentos sobre “rede de influência, poder e corrupção” foram enviados a Mendonça semanas antes da operação da PF
O senador Carlos Viana, presidente da finada CPMI do INSS, afirmou nesta sexta-feira, 8, que a comissão já tinha informações sobre as investigações da Polícia Federal que atingiram o senador Ciro Nogueira e pessoas ligadas ao Banco Master.
Em publicação nas redes sociais, Viana disse que a CPMI reuniu documentos, diálogos e dados sobre uma suposta “rede de influência, poder e corrupção” em Brasília.
Segundo ele, o material foi enviado há cerca de três semanas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e à Procuradoria-Geral da República.
“A CPMI do INSS avisou. Tentaram calar. Tentaram barrar. Tentaram desacreditar.
Agora as operações da Polícia Federal começam a mostrar ao Brasil aquilo que já havíamos entregue ao STF e à Procuradoria-Geral da República: uma rede de influência, poder e corrupção que agia nos bastidores de Brasília.”, afirmou o senador.
Viana disse ainda que “novos nomes” devem surgir ao longo das investigações.
O presidente da comissão criticou partidos do Centrão e integrantes do governo federal e afirmou que houve articulação política para barrar o avanço da CPMI.
“Agora vocês vão entender com mais clareza por que o Centrão e partidos se juntaram com o PT para barrar a CPMI”, disse.
Ciro Nogueira é alvo da PF
Na quinta-feira, 7, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Ciro Nogueira em nova fase da Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Segundo a PF o parlamentar é suspeito de ter recebido recursos do Master para apresentar um ‘jabuti’ em na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autonomia do Banco Central
Em 13 de agosto de 2024, Ciro apresentou uma emenda ao projeto para aumentar de 250 mil para um milhão de reais o valor da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A emenda beneficiava diretamente o Master, que usava o FGC para cobrir parte de seus investimentos fraudulentos.
“Amigo da vida”
Em conversas interceptadas pela PF, Daniel Vorcaro tratou Ciro Nogueira como um “grande amigo da vida”.
A manifestação de afeto pelo presidente nacional do PP consta em uma mensagem enviada por Vorcaro a Martha Graeff, namorada do banqueiro.
“Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, disse Vorcaro em mensagem enviada em maio de 2024.
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