Bolsonaro completa 100 dias preso com temor de passar o Natal na Papuda
Articulações sobre anistia também esfriam no Congresso; expectativa é que ação do golpe seja encerrada no início de dezembro
O ex-presidente Jair Bolsonaro completa, nesta quarta-feira, 12, 100 dias em prisão domiciliar com um temor cada vez maior de ser abrigado na penitenciária da Papuda a partir de dezembro, quando deve ser decretado o trânsito em julgado da chamada ação penal do golpe.
Bolsonaro foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 4 de agosto suspeito de tentar embaraçar a condução da ação penal por meio do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho que está nos Estados Unidos.
Moraes decidiu manter a prisão domiciliar de Bolsonaro, apesar de ele não ter sido denunciado no inquérito que apurava uma tentativa de obstruir os trabalhos do STF.
Desde então, o ex-presidente foi visitado por aproximadamente 70 pessoas, entre os quais parlamentares do PL, como o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (RN), e até personalidades como o ex-piloto de F-1 Nelson Piquet.
Nas conversas, conforme apurou O Antagonista, Bolsonaro tentava demonstrar otimismo, mas seus problemas de saúde preocupam tanto a família quanto seus correligionários. “Ele é um guerreiro. Não é fácil suportar uma prisão dessa forma, ainda mais com os soluços constantes”, disse o deputado Rodrigo Valadares (União-SE), um dos parlamentares que visitou o ex-presidente no período.
Aos seus aliados, Bolsonaro tem intensificado o pedido para que a anistia aos réus de 8 de janeiro – e a ele, consequentemente – saia do papel. No entanto, o ex-presidente tem consciência de que essa missão não é uma tarefa fácil e que, mesmo que o projeto de lei seja aprovado, a tendência é que Lula vete a proposta na íntegra. Assim, na melhor das hipóteses, a tal anistia ampla e irrestrita seria algo a ser vislumbrado no ano que vem.
Bolsonaro teme passar o Natal na penitenciária da Papuda, uma possibilidade absolutamente concreta se depender do ministro Alexandre de Moraes. O Antagonista apurou que, neste momento, a tendência é que Moraes determine que Bolsonaro inicie o cumprimento da sentença em regime fechado e, depois, conceda novamente o benefício da prisão domiciliar.
A Secretaria de Segurança do DF tem manifestado preocupação com isso e já prepara uma cela especial na penitenciária, onde normalmente são abrigados presos militares. A ala é chamada de “Papudinha”. O local já recebeu Anderson Torres, o ex-vice-governador do DF Benedito Domingos e o ex-secretário de Saúde Francisco Araújo.
Em caráter reservado, aliados de Jair Bolsonaro também tem reclamado da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, situação que, na visão deles, foi determinante para a decretação da prisão preventiva do ex-presidente.
Nesta terça-feira, parlamentares aliados de Jair Bolsonaro publicaram mensagens em apoio ao ex-presidente.
Na avaliação do vice-líder da Oposição, deputado Sanderson (PL-RS), a detenção é uma afronta direta à democracia e um ataque sem precedentes à vontade popular.
“Um ex-presidente que sempre defendeu o país e o povo está sendo tratado como criminoso, enquanto corruptos e ditadores seguem livres e homenageados. O Brasil exige justiça, e não perseguição política”, afirmou.
Já o deputado Coronel Tadeu (PL-SP) reforçou que a tentativa de silenciar Bolsonaro é, na verdade, um ataque à própria voz do povo.
“Prender Bolsonaro é tentar calar a voz do povo. Mas não adianta. Podem calar um homem, jamais uma nação inteira. Querem transformar o Brasil em uma Venezuela disfarçada. Não aceitaremos.”
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Comentários (2)
Suely Racy
12.11.2025 09:38Ex presidentes podem ir para papuda? Está errado isso
Rafael Tomasco
12.11.2025 09:06Que seja na Papuda ou na cela especial da PF, desde que ele fique preso e em agonia por toda sua maldade por uns bons anos; e não aquela palhaçada que foi a prisão do Fernando Collor