Advogados apontam novos abusos de Moraes após ele anular sindicância do CFM

16.01.2026

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O Antagonista

Advogados apontam novos abusos de Moraes após ele anular sindicância do CFM

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Wilson Lima
4 minutos de leitura 09.01.2026 11:01 comentários
Brasil

Advogados apontam novos abusos de Moraes após ele anular sindicância do CFM

O magistrado descartou o que se chama de princípio da “inércia do Poder Judiciário” e atuou sem ser provocado pelas partes envolvidas

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Wilson Lima
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Advogados apontam novos abusos de Moraes após ele anular sindicância do CFM
Foto: Luiz Silveira/STF

Advogados ouvidos pela reportagem de O Antagonista apontam novos abusos na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em que ele declarou a nulidade de um ato do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Como mostramos, o CFM determinou a instauração imediata de sindicância para apurar denúncias relacionadas às condições de atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Moraes, horas depois, e de ofício, sustou a norma do órgão. Além disso, o magistrado também determinou ainda a oitiva do presidente do Conselho Federal de Medicina, José Gallo, pela Polícia Federal, no prazo de dez dias, para que explique “a conduta ilegal do CFM e para que se apure eventual responsabilidade criminal”.

Na opinião de especialistas ouvidos pela reportagem, Moraes descartou o que se chama de princípio da “inércia do Poder Judiciário”. Ou seja: em qualquer caso, mesmo em sede de execução penal, o juiz precisa ser provocado. Não atuar de ofício, como foi o caso.

Moraes determinou a nulidade da sindicância sem antes ter sido provocado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal (MPF), ou mesmo por parlamentares que acompanham a execução da pena do ex-presidente.

“Um dos princípios elementares do direito processual é a questão da inércia do poder jurisdicional O Poder Judiciário é inerte e só age mediante provocação. Não é a primeira vez que o ministro Alexandre de Moraes toma esse tipo de atitude de ofício, e isso é corriqueiro e isso não me parece adequado”, disse o Ricardo Martins, doutor e mestre em Direito, Especialista em Direito Processual Penal e em Direito Penal e Professor de Direito Processual Penal.

“Se fosse para ele anular [um ato do CFM], isso deveria ter partido de uma provocação quer seja do Ministério Público ou da Polícia Federal. Essas atitudes de ofício é que vem sendo alvo de debate, alvo de questionamento, porque o Judiciário é inerte. Se ele toma decisões de ofício, coloca-se em xeque a imparcialidade do Poder Judiciário”, acrescentou ele.

Advogados que acompanham a execução da pena de Jair Bolsonaro e que atuaram na ação penal do golpe também criticaram a postura do magistrado. “Em tese, tudo o que diz respeito à execução penal do ex-presidente passa por Moraes. Mas se o próprio MPF não questiona esse tipo de abuso, não há muito o que fazer. Infelizmente, se cria um precedente muito perigoso”, declarou, em caráter reservado, um dos responsáveis pela defesa dos réus dos atos de 8 de janeiro.

Uma TV Smart para Jair Bolsonaro

Como mostramos mais cedo, a defesa de Bolsonaro solicitou ao STF autorização para que o ex-presidente tenha uma Smart TV na sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista.

Na petição, os advogados alegaram que o uso do aparelho ficaria restrito ao acompanhamento de canais de notícias.

“O acesso a meios de comunicação, em especial à programação jornalística e informativa, representa instrumento legítimo de preservação do vínculo do custodiado com a realidade social, política e institucional do país”, escreveram.

O aparelho, segundo a defesa, seria providenciado pela família de Bolsonaro.

Um rádio de pilha para Bolsonaro

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na quinta, 8, ter presentado o pai com um rádio de pilha.

Segundo ele, o ex-presidente está preso “de forma ilegal e desumana em uma sala insalubre e molhada”, de cerca de 8 metros quadrados.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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