Acadêmicos de Niterói alega “perseguição” por homenagem a Lula
Escola diz ter sofrido tentativas de interferência, e questiona imparcialidade de julgamento após desfile com críticas a Bolsonaro e Temer
A Acadêmicos de Niterói divulgou nesta segunda-feira, 16, uma nota em que afirma ter sido alvo de perseguição política após apresentar, no Carnaval do Rio, de Janeiro um desfile em homenagem ao presidente Lula (PT). A agremiação sustenta que enfrentou pressões de diferentes frentes, incluindo gestores responsáveis pela organização do evento.
“Houve tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar”, afirma o texto divulgado pela escola.
A agremiação declara na nota que “resistimos e levamos para a avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade”. O comunicado menciona ainda ataques vindos de setores conservadores e de organizadores do Carnaval carioca.
Desfile chapa-branca e desistência de Janja
O desfile trouxe elementos que provocaram reação da oposição e acenderam debate sobre possíveis infrações eleitorais. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que participaria da apresentação, cancelou sua presença para evitar complicações junto à Justiça Eleitoral.
A apresentação incluiu uma ala em que participantes usaram peças vermelhas com estrelas no peito, sem o número 13 associado ao PT. O jingle “olê, olê, olá, Lula! Lula!” foi incorporado ao enredo, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apareceu representado como palhaço e presidiário.
Advogados acreditam que a apresentação pode resultar em condenação por ilícitos eleitorais. O partido Novo informou que vai protocolar ação no Tribunal Superior Eleitoral solicitando a inelegibilidade do presidente.
A oposição já havia recorrido à Justiça antes do desfile, alegando propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder.
Defesa da liberdade de expressão
Michel Temer (MDB), retratado no desfile retirando a faixa presidencial de Dilma Rousseff (PT) em referência ao impeachment de 2016, comentou o episódio por meio de sua assessoria. O ex-presidente classificou a apresentação como “bajulação”, mas defendeu a liberdade artística.
“A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida”, escreveu Temer. Ele acrescentou que “não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí”.
A Acadêmicos de Niterói afirmou esperar “um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos”.
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Comentários (1)
Marian
16.02.2026 20:49Não é perseguição, é legislação.