A delação de Vorcaro vem aí
A expectativa é que essa proposta seja entregue ainda nesta semana, mas investigadores ainda estão céticos sobre o que ele pode entregar
Os advogados do banqueiro Daniel Vorcaro estão concluindo a proposta de acordo de delação premiada que será entregue aos integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF).
A expectativa é que essa proposta seja entregue ainda nesta semana, conforme o jornal O Estado de S. Paulo. A informação foi confirmada por O Antagonista.
Investigadores que estão a par das tratativas afirmam que Vorcaro precisa ajudar, de fato, a PF e a PGR a avançar em detalhes sobre o esquema do Banco Master. Apesar disso, poucos integrantes dos dois órgãos acreditam que, de fato, o banqueiro deve avançar em relação ao farto material que já foi colhido pelos agentes.
A expectativa dentro da PGR e PF é que Vorcaro possa avançar em relação à participação de alguns líderes do Centrão, principalmente sobre partidos como PP e União Brasil. Alguns integrantes dessas siglas já foram citados marginalmente em materiais colhidos pela Polícia Federal.
Em relação a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), até o momento, não há qualquer sinalização de que Vorcaro possa acrescentar algo aos investigadores, apesar das revelações sobre o contrato de R$ 129 milhões com Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e a respeito da empresa de Dias Toffoli, que chegou a ser sócia no Resort Tayayá.
A parceria entre Master e BRB
Diálogos extraídos do celular de Vorcaro mostram que o Banco Master recorreu a aportes do Banco de Brasília (BRB) desde meados de 2024 para enfrentar problemas de liquidez.
As mensagens, obtidas pelo Estadão, foram trocadas principalmente com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, e indicam pedidos frequentes de apoio financeiro antes mesmo do anúncio de compra de parte da instituição, feito em março de 2025.
Nas conversas, Vorcaro pressiona Lima para viabilizar repasses do BRB e demonstra preocupação com o caixa.
Em uma delas, menciona a possibilidade de recorrer ao “depósito compulsório” caso o dinheiro não chegasse:
“Tem notícia do BRB? Se não vier vou ter que devolver a grana de sexta e vamos usar compulsório hoje.”
Pressão por recursos
As mensagens mostram cobranças constantes por respostas e prazos.
Em setembro de 2024, Vorcaro insiste em uma definição sobre uma operação:
“Irmão, preciso saber se eles vão fazer ou não. Já tem 15 dias esse negócio do ccb (Cédula de Crédito Bancário). Se for agarrar e não sair agora preciso saber, depois te explico.”
Lima responde que buscaria uma atualização junto ao banco.
Em diferentes momentos, Vorcaro relata dificuldades financeiras e afirma que precisava “por uns 600 mm [milhões] no caixa. Pra resolver tudo nosso”.
Em outra mensagem, ele menciona a possibilidade de recorrer ao depósito compulsório caso os recursos não fossem liberados.
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