Toffoli abre a guarda do STF
Supremo passou os últimos sete anos defendendo seus ministros sob o argumento da democracia, que não vale nada para o caso do Banco Master
O Supremo Tribunal Federal (STF) passou os últimos sete anos se defendendo. Ou melhor, defendendo seus ministros, o que é bem diferente.
A abertura do inquérito das fake news de ofício, sem a provocação do Ministério Público, em 2019, marca o momento a partir do qual os ministros passaram a se proteger de tudo aquilo que identificaram como ameaças externas — desde ataques diretos até reportagens que relatavam fatos desagradáveis a eles, como a clássica reportagem de Crusoé “O amigo do amigo de meu pai”.
Enquanto se defendiam do que vinha de fora, contudo, os ministros foram corroendo o STF por dentro, com decisões heterodoxas e estridentes, como o bloqueio do X em pleno período eleitoral, sem sequer se importar com a existência do Ministério Público.
Não é preciso negar que o STF de fato foi alvo de ameaças, principalmente durante o governo de Jair Bolsonaro, para reconhecer que seus ministro participaram do processo de degradação institucional no qual o Supremo se encontra hoje.
Caso Master
O pedido da Polícia Federal para que o ministro Dias Toffoli (foto) deixe a relatoria do caso do Banco Master escancarou o prejuízo causado ao STF por seus próprios membros, que se confundiram com a instituição nos últimos anos para tentar se defender do indefensável.
A proximidade de Toffofli com os negócios de Daniel Vorcaro, dono do Master, e sua condução estranha do inquérito, com sigilo absoluto e decisões inéditas, como uma acareação entre investigador e investigado, já eram motivo o bastante para ele se afastar do caso.
Aliás, o fato de ele ter virado relator do caso já levantava suspeitas o bastante, sobre o misterioso e geralmente conveniente sistema de distribuição de processos do STF.
Guarda aberta
O resultado prático do caso Master no STF foi jogar no lixo toda a autodefesa que os ministros do STF vêm fazendo, escorada em argumentos bonitos como democracia e República.
Se esse tipo de argumento contentava e convencia parte da sociedade brasileira quando era feito no contexto de desafios ao sistema eleitoral e do vandalismo do 8 de janeiro de 2023, agora, diante dos laços de Toffoli com os negócios do Banco Master e das suspeitas que também pairam sobre o ministro Alexandre de Moraes no caso, as alegações perdem qualquer sentido.
O caso Master abriu a guarda do STF num momento em que o presidente Edson Fachin tentava proteger o tribunal com um código de ética, contra o qual Toffoli e Moraes falaram abertamente.
Hoje, ironicamente, o STF precisa se proteger de Toffoli.
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Comentários (2)
Clayton de Souza Pontes
13.02.2026 06:26O Toffoli perdeu a relatoria do processo e merece perder a caneta de ministro. O Moraes precisa explicar o contrato da esposa. Ela era uma laranja ?
Marcos
12.02.2026 19:42vamos investigar os 129 milhões.