STF: se Fux queria “causar” com voto, conseguiu
O que o ministro da vasta cabeleira prateada fez, com toda sua retórica, foi desconsiderar “o filme” e se ater “a retratos”
Realmente não é uma tarefa muito difícil espancar ou a realidade ou a Constituição Federal como fazem alguns – senão todos – ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em determinadas situações e ocasiões, quando querem e lhes convém, ainda que isso exija algumas boas horas de paciência e, provavelmente, já que ninguém ali é adolescente, bastante desconforto físico bem como, talvez, um certo incômodo emocional.
Digo isso após assistir com a máxima atenção – e espírito desarmado – os votos proferidos pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Luiz Fux, no âmbito da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus do chamado “núcleo crucial” da “trama golpista”, em curso na Suprema Corte. A mim me resta cada vez claro, que o arcabouço jurídico brasileiro, assim como quase tudo em Banânia, é mera formalidade.
Temos leis que não são respeitadas nem mesmo pelo Poder Público ou pelas autoridades responsáveis pela aplicação e fiscalização das mesmas. Outras, ainda, expressas em capítulos fantasiosos na Carta Magna, que declamam direitos jamais vistos e obrigações jamais cumpridas, são diuturnamente ou rasgadas ou simplesmente desconsideradas por todos. São as popularmente famosas, “leis para inglês ver”.
Esqueçam o que votei
Ou Moraes e Dino seguem a Constituição e vivem no Brasil, ou Fux desconsidera o código penal e habita uma realidade paralela, pois impossível a convivência pacífica entre visões de fatos ocorridos e interpretações legais tão diametralmente opostas. A dupla colaciona e desfila eventos e provas, e encontra fundamento jurídico para enquadrar e condenar os réus em todos os crimes de que são acusados pela Procuradoria-Geral da República.
Já o ministro antagônico enxerga nos votos dos colegas uma obra de ficção científica, completamente desamparada dos fatos e francamente em desacordo com as leis. Nesse caso, é oportuno lembrar, o Fux que votou na quarta-feira, 10, por onze horas seguidas, não é o mesmo Fux que, anteriormente, votou pelo recebimento da ação e que já condenou mais de 400 réus no mesmo processo, pelas razões que agora discorda.
Restam, ainda, dois ministros e duas outras visões de mundo e interpretações legais – Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Se o ditado dos operadores de direito parece fazer cada vez mais sentido, “De bumbum de neném e cabeça de juiz nunca se sabe o que sairá”, é quase certo que, a despeito dos votos já estarem redigidos, alguma resposta – ou respostas – a Fux virá. Dificilmente suas colocações ficarão sem um duro contraponto.
O futuro a Deus pertence
O que o ministro da vasta cabeleira prateada fez – de forma retoricamente brilhante -, foi desconsiderar “o filme” e se ater “a retratos”, meticulosamente confrontados com eventos pretéritos, ainda que desconexos e descontextualizados, a fim de corroborar sua própria anistia ampla, quase geral e praticamente irrestrita. Está errada Vossa Excelência, agora garantista? De jeito nenhum. Errados estão os punitivistas – de hoje e do passado, né, Fux?
“Ah, Ricardo, então o Xandão e o Dino é que estão certos?“. Nananinanão. A Justiça brasileira se situa numa zona cinzenta, uma espécie de limbo jurídico onde advogados e magistrados flutuam de acordo com seus próprios interesses e, vá lá, às vezes, convicções. Repito: o Fux de ontem não é o Fux de anteontem. Aliás, nem mesmo o advogado de Bolsonaro, de hoje, é o advogado – que ainda não era de Bolsonaro – de ontem.
Se Dino e Moraes estão alinhados e votaram em consonância com o que grande parte da sociedade brasileira assistiu – eventos, mensagens, vídeos e provas pormenorizadamente apresentados – e com a Constituição, a despeito de questionamentos técnicos legítimos e igualmente amparados, isso não significa que são os “certos”. Por isso o colegiado. Entre certos e errados, prevalecerá a maioria, que, pelo menos nesse caso, não “vive em Nárnia“.
Leia mais: Fux cutuca as feridas do STF
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Comentários (10)
Fabio B
12.09.2025 04:55Muito engraçado ver tanta gente reclamando que o Ricardo Kertzman "esquerdou". Na verdade, ele objetivamente apontou as incoerências no STF, sem precisar vestir camisa de torcida. Talvez o "problema" seja justamente esse, quando não há rótulo fácil, sobra desconforto.
Alberto
11.09.2025 16:22É nojento esse tipo de análise. Por isso não vou renovar .
Eliane ☆
11.09.2025 15:19Pois é, Ricardo Kertzman, têm assinantes de várias opiniões. Têm até "rotuladores ". Da próxima vez não "magoe"os assinantes; por favor. 🤭
Otreblig50
11.09.2025 14:49Digam o que quiserem os pró e os contra, mas o voto do cabeludo fux foi contraditório. LIBEROU as cabeças mandantes e PUNIU os pelegos que obedeceram. TODOS SÃO CULPADOS !!!!
Angelo Sanchez
11.09.2025 13:36As narrativas da PGR, cabresto do "descondenado", que contou uma historia incriminado Bolsonaro e seu entorno, cairam por terra. O ministro Fux, desmontou toda a trama dos inquisitores deste regime facista do "descondenado e sua gang incluindo quase todos os Ministros do Supremo que teimam em perseguir os inimigos políticos deste regime esquerdista corrupto.
Joaquim Arino Durán
11.09.2025 12:55Para comemorar a restrição das culpas ao cumpridor de ordens e ao vice da chapa, agora o Nikolas podia aparecer com uma perucona prateada.
CLAUDIO NAVES
11.09.2025 11:55Antagonista esquerdou de vez , deve ser pix !
HILAN HENRIQUE AZEVEDO
11.09.2025 11:43Gosto muito do antagonista. Sou assinante desde 2021. Gosto das análises do Ricardo, mas quando elas são sobre Bolsonaro e nikolas acho que ele as faz com o fígado e aí perde a mão. E olha que eu sou uma pessoa que acha Bolsonaro moralmente culpado e que quero muito que ele nunca mais volte para a política, pois não faz bem ao Brasil. Mas análises como essa é que me fazem adiantar as falas do Ricardo quando são falas sobre Bolsonaro e nikolas.
Annie
11.09.2025 10:45Nossa o Ricardo está cada vez pior.
Ricardo Nery
11.09.2025 10:25De onde foi que tiraram esse cidadão? Saudades de Mário Sabino.