STF: está tudo tão podre, que já não se pode fazer nada

07.10.2026

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O Antagonista
STF: está tudo tão podre, que já não se pode fazer nada
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Ricardo Kertzman
4 minutos de leitura 14.09.2026 11:16 comentários
Análise

STF: está tudo tão podre, que já não se pode fazer nada

Ministros que deveriam zelar pela Justiça e higidez do Judiciário tornaram-se linhas auxiliares de algo que precisa ser investigado

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Ricardo Kertzman
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STF: está tudo tão podre, que já não se pode fazer nada
Foto: Antonio Augusto/STF

Os sucessivos casos de desmonte de operações policiais, que culminaram na descoberta de esquemas bilionários de corrupção no Brasil, envolvendo autoridades públicas e criminosos dispostos a bancar advogados estrelados com acesso irrestrito ao STF, acabaram por levar o país – após sucessivas anulações e prescrições de casos explícitos de roubalheira de dinheiro público – a um estado permanente de corrupção endêmica e impunidade ampla, quase geral e restrita.

Não à toa, as disputas por cargos nas cortes superiores, notadamente STJ e STF, tornaram-se caninas, levando a verdadeiros périplos de lobistas no Senado, Casa responsável pela aprovação do nome escolhido pelo presidente da República. Potentados do empresariado brasileiro, via de regra envolvidos em ações judiciais em trâmite na própria Suprema Corte, também passaram a atuar no financiamento direto de líderes políticos de peso no Congresso – e às claras.

Pouco a pouco, a República foi sendo tomada de assalto pelas elites empresarial e política e por uma avalanche de amigos, filhos, cônjuges e parentes diretos de ministros atuando em causas judiciais bilionárias ou estratégicas. O Brasil decidiu não ver problema algum nessa promiscuidade relacional, até porque, de forma ainda mais ostensiva, muitos ministros passaram a atuar na iniciativa privada, captando recursos para si, parentes e institutos jurídicos.

Briga de foice no escuro

Se não assusta, causa surpresa – pelo tamanho e disparate do caso – a relação direta entre o ex-banqueiro preso, Daniel Vorcaro, e grande parte da elite dos três Poderes de Brasília. Ministros do STF, presidentes do Senado e da Câmara, o próprio presidente da República, diretores do Banco Central, governo do DF, enfim, nada nem ninguém parece ter escapado às festas, ao dinheiro, aos agrados luxuosos e às inúmeras formas de sedução de Vorcaro.

A guerra aberta, em curso no STF, diz muito sobre tudo. De um lado, um ministro aliado a um grupo político que também tem seus relacionamentos indevidos com a “esfera” Banco Master. De outro, dois, três, quatro outros ministros que, aí, sim, de forma estupidamente clara, não só mantiveram negócios multimilionários – direta ou indiretamente – com Daniel Vorcaro, como, ao que parece, serviram, inclusive, como informantes e assessores jurídicos do fraudador.

Este grupo tenta, de todas as formas possíveis, impedir o prosseguimento de uma investigação inédita que poderia, ao fim e ao cabo, levar à prisão, pela primeira vez na história da República, um ministro do Supremo Tribunal Federal – ainda que essa possibilidade seja mais remota que Elon Musk chegar a Marte. Ministros que deveriam zelar pela Justiça e pela higidez do Judiciário tornaram-se linhas auxiliares e, não raro, cúmplices de algo que precisa ser investigado.

O passado ensina

Há uma frase famosa do pastor luterano alemão Martin Niemöller (1919-1961) sobre a Alemanha nazista. Em uma de suas versões mais conhecidas, de forma bem adaptada e resumida, ele inicia: “Primeiro vieram buscar os comunistas, depois os sindicalistas, depois os judeus”. Niemöller permaneceu calado durante todo o tempo porque não pertencia a nenhum desses grupos. Contudo, quando vieram buscá-lo, resumiu: “Já não havia mais ninguém para protestar”.

Analogamente, trazendo para o Brasil, ouso dizer: um dia, aliviaram a barra do presidente da República, flagrado e condenado em um esquema bilionário e comprovado de corrupção. Outro dia, a do deputado e do senador influentes. Depois, a de um ministro – ou ministros – envolvido no maior escândalo financeiro da história do país. Ao final, portanto, pouco a pouco, já não há mais Judiciário para reclamar. Está tudo tão podre, mas tão podre, que já não se pode fazer nada.

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Ricardo Kertzman

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Comentários (6)

vitormarcati

14.09.2026 22:20

O Brasil caminha a passos largos para a única solução possível nesses casos, a rebelião popular


Pedro Boer

14.09.2026 15:05

"Descondenação". ampla, geral e irrestrita dá nisso...


Marian

14.09.2026 13:49

E pagamos tão caro! Sem educação de qualidade, sem segurança alguma e com um sistema público de saúde decididamente doente. Sim, está podre e fede.


Joaquim Duran

14.09.2026 12:36

Segue tudo dominado.


Carlos Freitas

14.09.2026 11:57

Podemos discordar politicamente em praticamente tudo, mas há um ponto que deveria ser consenso: nenhuma instituição pode estar acima de transparência, fiscalização e prestação de contas. Quando relações entre poder público, interesses privados e autoridades passam a gerar dúvidas sobre conflitos de interesse, a confiança nas instituições é inevitavelmente afetada. E sem confiança institucional, a conta chega para toda a sociedade.


Rosa

14.09.2026 11:30

Acho que resumiu bem.😢


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