Rinha de zumbis presidenciais
Lula e Flávio Bolsonaro se encaminham para disputar a Presidência como mortos-vivos políticos sem condição de governar
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já era um candidato presidencial problemático desde que seu pai o escolheu para representá-lo nas urnas nas eleições deste ano, em dezembro de 2025.
Flávio cresceu nas pesquisas de intenção de voto quase sem esforço, beneficiando-se do desgaste de Lula, um presidente que nunca conseguiu justificar a eleição para o terceiro mandato. Mas o fato é que o presidente só continua no páreo porque o senador foi o escolhido para enfrentá-lo.
O petista só venceu a eleição de 2022, aliás, porque o outro candidato era o degradado Jair Bolsonaro, que, por sua vez, só se elegeu em 2018 porque a alternativa era o Lula presidiário, representado nas urnas pelo poste Fernando Haddad.
O Brasil caminha neste ano para a terceira eleição seguida entre lulistas e bolsonaristas, que se aproximam do pleito presidencial com seus candidatos na pior condição de todas essas disputas, como dois mortos-vivos políticos, zumbis que só seguem de pé por estarem escorados um no outro.
Zumbis
Lula passou esta semana apelando desesperadamente para iniciativas eleitoreiras, numa aparente tentativa de demonstrar recuperação nas pesquisas de intenção de voto após ser humilhado com a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Funcionou: pesquisa Genial/Quaest indicou melhora circunstancial na popularidade do presidente, assim como o Lulômetro, que parece ter captado também o benefício para a imagem do petista da associação de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro por meio do filme Dark Horse.
É assim que se estabeleceu a dinâmica entre os dois principais pré-candidatos presidenciais do país: a perspectiva de Flávio melhora apenas na comparação com Lula, assim como o petista só ganha fôlego quando o filho 01 de Bolsonaro ou qualquer de seus irmãos cometem erros (e são muitos).
Rinha
Em uma de suas tentativas de defesa, Flávio apontou o dedo para o desfile de Carnaval em homenagem a Lula para tentar justificar o filme sobre a vida de seu pai patrocinado por Vorcaro.
Já Lula disse, sem qualquer preocupação de fazer sentido, que o hospital que usava como palanque no interior de São Paulo na sexta-feira, 15, “não tem dinheiro do Vorcaro”.
Há outros pré-candidatos na corrida presidencial, e até o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa parece ter se animado a entrar na disputa. Mas, por enquanto, o Brasil segue aprisionado pela perspectiva de que elegerá neste ano um presidente sem qualquer condição de governar.
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