Pilili, a inútil
A personagem é até bonitinha, mas esconde o verdadeiro problema do país: a credibilidade da Justiça - inclusive a eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou nesta semana a Pilili, nova mascote alusiva aos 30 anos da urna eletrônica e que, em teoria, visa conquistar o eleitorado mais jovem.
A personagem é até bonitinha. Uma urninha eletrônica, com dois olhinhos e uma boquinha. Nivel de jardim de infância. Minha filha, hoje com 14 anos de idade, poderia até pedir uma bonequinha da Pilili. Mas isso há dez anos. Hoje, dificilmente a Pilili faria alguma diferença na vida de uma adolescente conectada, cheia de sonhos e cuja biblioteca é repleta de mangás e animês.
Dados do próprio Tribunal Superior Eleitoral apontam que, após o Brasil ter pedido um grande número de eleitores ao longo da primeira década dos anos 2000, esse comportamento vem mudando nos últimos anos.
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No pleito de 2012, o Brasil chegou a ter 2,9 milhões de eleitores jovens. Esse contingente caiu 1 milhão em 2020 e, nas últimas eleições, foram registrados 1,8 milhão de jovens aptos a votar.
Esse crescimento em 2024 não dependeu da Pilili. Foi fruto de uma campanha de engajamento do próprio TSE em busca desse eleitor que começa a entender o que de fato é democracia.
Em tempos de redes sociais, não faz muito sentido imaginar que um personagem de desenho animado, tão tosco quanto a Pepa Pig, possa ajudar no engajamento do eleitor.
Pilili x Zé Gotinha
Outro erro do TSE: comparar a Pilili ao Zé Gotinha. O Zé Gotinha foi personagem importante para consolidar o Programa Nacional de Imunização (PNI), mas ele não conseguiu isso sozinho. Ele foi um elemento importante que atuou interdisciplinarmente com outras engrenagens públicas.
A Justiça Brasileira – e não apenas a Eleitoral – carece de um choque de credibilidade. Credibilidade que o PNI conseguiu com a eficácia das vacinas. Para ganhar credibilidade, a Justiça Eleitoral precisa ser mais célere e… justa.
O próprio TSE sofre com ambiguidades em julgados ao longo do tempo, e não tem feito a sua parte para dotar o país da tão sonhada previsibilidade de procedimentos.
Em março deste ano, por exemplo, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, rejeitou um pedido para investigar Lula por crime eleitoral após o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o petista. Em situações análogas, o TSE foi extremamente rigoroso com esse tipo de propaganda disfarçada. No caso de Lula, o TSE fez ouvidos moucos para o caso.
Enquanto o Poder Judiciário não conseguir recuperar sua credibilidade, não terá Pilili que consiga fazer com que as pessoas acreditem e saiam de casa para votar. Nem adolescentes, nem adultos.
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Comentários (1)
Andre Luis dos Santos
06.05.2026 20:49Excelente. Lula e o PT aparelharam de tal modo as instituições (cumprindo com a promessa do Jose "Mensaleiro" Dirceu, pai da "Tchutchuquinha desvairada do Parana"), que ninguém acredita em nada que venha desse governo ou do judiciário (em especial as cortes "superioras"). O melhor presente de Natal pros brasileiros esse ano vai ser o PE NO RABO dessa PTralhada canalha. Amem!