Operação Contenção de Danos

14.12.2025

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O Antagonista

Operação Contenção de Danos

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 15.11.2025 12:54 comentários
Análise

Operação Contenção de Danos

É uma missão quase impossível para o governo Lula tentar se livrar da justa fama de ser leniente com o crime, que impulsionou o tumultuado PL Antifacção

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 15.11.2025 12:54 comentários 1
Operação Contenção de Danos
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasília passou a semana debatendo a melhor forma de combater facções criminosas. O problema existe há décadas, mas o governo Lula (à direita na foto) só acordou para ele porque foi emboscado numa mata no Rio de Janeiro junto com 117 membros do Comando Vermelho em 28 de outubro.

Os lulistas reagiram mal à Operação Contenção. Plantaram desconfiança e aguardam até hoje indícios de irregularidades cometidas pelos policiais que arriscaram as próprias vidas naquele dia para evitar que o crime organizado expandisse ainda mais seus territórios no estado.

Encurralados pelo fato de que os criminosos enfrentaram a polícia longe das moradias, os governistas se apressaram em apresentar o PL Antifacção, numa espécie de Operação Contenção de Danos, já que o presidente tinha tratado os traficantes como vítimas dias antes da megaoperação no Rio e sua proposta de PEC da Segurança Pública não avançou no Congresso.

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Contenção de danos

A tentativa de escapar dessa armadilha, montada pela perspectiva torta com que o governo Lula olha para a segurança pública, sofreu um revés quando o PL Antifacção foi parar nas mãos de um adversário — e não qualquer um.

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) deixou momentaneamente o comando da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para relatar o projeto. O estado é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como o potencial maior adversário (elegível) de Lula em 2026.

Derrite alterou o projeto apresentado pelo governo, cujo esperneio levou o relator a apresentar uma quarta versão do texto. Os lulistas acusam Derrite de trabalhar em prol dos criminosos, numa clara tentativa de se livrar da fama de ser leniente com o crime. É uma missão difícil, quase impossível.

Missão impossível

A esquerda brasileira cultiva a percepção do crime como consequência da pobreza e da desigualdade, sem dar atenção às questões morais envolvidas. Uma pesquisa AtlasIntel deixou a situação mais clara: 87% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro apoiaram a megaoperação policial.

Ou seja, a maioria dos pobres não opta pelo crime. Eles podem viver mal do ponto de vista do saneamento, da educação, da mobilidade urbana e dos direitos trabalhistas, entre tantas outras debilidades, mas mantêm a consciência tranquila enquanto trabalham muito e ganham pouco.

E eles não têm pena do traficante ou do ladrão de celular, como Lula. Porque eles são as principais vítimas do traficante e do ladrão de celular, e sabem que a “falta de oportunidade”, como voltou a dizer o petista, não justifica a opção de entrar para a vida do crime.

São esses brasileiros mais pobres que mantêm contato cotidiano com a consequência da política de desencarceramento propagandeada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski (à esquerda na foto).

Leniência

O crime organizado se adequou e tira o melhor proveito das boas intenções de Lewandowski.

As contravenções são cometidas sob medida, nos frouxos limites da lei, para que o criminoso não permaneça preso caso seja flagrado e possa voltar a delinquir o mais breve possível — as “saidinhas”, projetadas para ajudar na ressocialização, também acabaram entrando no fluxo do crime.

“Eu, inclusive, já prendi um marginal da lei com 30 passagens”, disse, em entrevista ao Papo Antagonista, a policial Munique Busson, que participou da Operação Contenção e criou um canal, como já fizeram vários de seus colegas, para contrapor o discurso dos “especialistas” em segurança.

Além de tudo isso, o governo Lula resiste a equiparar atos das facções criminosas, como fechamento de vias e do comércio, ao terrorismo, por receio de acabar criminalizando atos de movimentos sociais como o MST e sob o argumento furado de não incentivar uma fantasiosa intervenção americana.

Torcida

Em meio ao debate acalorado, até a Polícia Federal se sentiu confortável para participar, tomando o lado do governo Lula, como era de se esperar, e derrubando mais um tijolo da desgastada institucionalidade brasileira na tentativa de manter o protagonismo do governo no PL Antifacção.

O que está claro, para quem assiste ao desenrolar da questão atentamente, é que, mais uma vez, o governo Lula atua para tentar resolver os problemas do próprio governo Lula, e não do Brasil.

E o máximo que os brasileiros podem fazer é torcer para que saia algo de bom dessa história.

Leia mais: Lula é apenas uma fotografia na parede

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (1)

JOSE REIS

16.11.2025 01:32

Brilhante o texto! Desmascarando o discurso petista que é meticulosamente criado para ocultar suas reais intenções. E mostrando que a prioridade do PT é o próprio PT, e não o Brasil. Neste ponto, a bem da verdade, na política deturpada do nosso país, isto acontece independentemente do espectro político. Em suma, estamos fritos.


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