O bolsonarismo que perdoa
Grupo político conhecido por condenar "traidores" faz as pazes com antigos desafetos em nome da eleição de Flávio Bolsonaro
Eleição é hora de perdoar — pelo menos para parte da família Bolsonaro.
Depois de o bolsonarismo se estabelecer como um grupo político conhecido por condenar “traidores” publicamente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, à esquerda na foto) parte para a eleição presidencial colecionando perdões a aliados que tinham ficado pelo caminho.
A aproximação com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) está em banho-maria desde a bronca pública da ex-Michelle Bolsonaro no deputado federal André Fernandes (PL-CE), que desencadeou a pré-candidatura presidencial de Flávio, no fim do ano passado.
Mas o bolsonarismo, que renegou Joice Hasselmann, o finado Gustavo Bebianno, Alexandre Frota, Janaina Paschoal, Wilson Witzel e o general Santos Cruz, entre tantos outros, voltou a se entender com o senador Sérgio Moro (PL-PR), que quase precipitou o fim do governo Jair Bolsonaro ao deixar o Ministério da Justiça atirando, e André Marinho (Novo, à direita na foto), que chegou a se desentender com Bolsonaro durante entrevista ao vivo após o rompimento.
“Olhando para a frente”
“Estamos aqui pensando no nosso país, olhando para a frente. É muito importante essa unidade nesse momento, porque a gente tem um adversário o Brasil em comum, que é o atual governo, que está fazendo tanto mal, é violência para tudo que é lado, é imposto, é perseguição política, todos os serviços públicos muito ruins, e a imagem do Brasil, então, nem se fala”, disse Flávio em vídeo gravado ao lado de Marinho, que chegou a lançar um livro com críticas à família Bolsonaro.
Marinho se filiou ao Novo para concorrer ao governo do Rio.
Ao declarar apoio a Flávio enquanto seu partido também tem um pré-candidato à Presidência (o ex-governador Romeu Zema), e o PL tem um pré-candidato ao governo do Rio (o deputado estadual Douglas Ruas), ele sugere a estratégia de tentar evitar a vitória do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes no primeiro turno.
Enquanto Flávio tenta se entender com todo mundo, contudo, seu irmão Eduardo Bolsonaro não deixa a chama do rancor bolsonarista se apagar.
Sem confiança para retornar ao Brasil, o deputado cassado dispara do exterior contra aliados nas redes sociais, com predileção pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), de quem o filho 03 de Bolsonaro desconfia faz tempo.
Pacificação
O ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro também vinha fazendo pressão nos aliados que criticaram seu plano de se eleger senador por Santa Catarina. Mas, depois de disparar algumas indiretas contra Michelle e tentar submeter a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que se rebelou contra sua candidatura, o filho 02 também adotou um tom mais pacífico — especialmente depois de aparecer atrás do senador Esperidião Amin (PP-SC) em pesquisa de intenção de votos.
Se não fosse difícil o bastante controlar a própria família, há uma fauna de influenciadores bolsonaristas que se digladia diariamente nas redes sociais, insuflando um lado contra o outro e defendendo aquilo que elege como princípio, geralmente citando o finado Olavo de Carvalho.
Mais do que coerência, contudo, a família Bolsonaro precisa de votos. E pode ser que os perdões, ainda que oportunistas e passageiros, os ajude mais do que a tradicional caça às bruxas.
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Comentários (2)
Gabriel Mateus Machado Fucks
08.04.2026 07:53Li o livro do André Marinho e gostei muito de saber detalhes dos bastidores das eleições de 2018, deve ser muito vergonhoso para ele prestar este papel agora.
Fabio
07.04.2026 21:11Alguém tem que perguntar ao André Marinho se rachador tem que ser preso.