Lula se arrependeu de apostar nas bets?
Petista corre atrás do prejuízo ao posar de moralista contra apostas esportivas, mas seu governo regulamentou as bets porque queria dinheiro de imposto (e conseguiu)
Com a proximidade das eleições, Lula parece ter se tocado de que regulamentar as plataformas de aposta esportiva no Brasil não foi uma boa ideia. O presidente chegou a dizer que aprendeu na igreja a ser “contra o jogo”.
Questionado em entrevista na semana passada por que não proibir as bets — sem que fosse mencionado que foi ele que regulamentou essas apostas —, Lula disse que “se as bets causam o mal que a gente acha que causam, por que a gente não acaba com as betes?”.
“Ou você regula, para que não tenha tantas bets no Brasil, para que você possa ter algumas, se é que tem alguma serventia”, seguiu, repetindo o que teria aprendido na igreja e procurando a câmera para afirmar: “Se depender de mim, , a gente fecha as bets”.
Na entrevista, o petista repassou a responsabilidade sobre o assunto para o Congresso Nacional e disse que “não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada neste país”.
Tarde demais
“Isso leva a sociedade a cometer desvio, porque todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais. Quando a pessoa está viciada no jogo… Nós temos que tratar isso como uma questão de saúde. Eu conheço pessoas que perderam o carro, conheço pessoas que perderam casa apostando, pessoas que se matam”, discursou Lula.
Melhor seria ter pensado nisso tudo em 30 de dezembro de 2023, quando o petista sancionou a legislação. Mas seu governo precisava do dinheiro dos impostos para fechar as contas — o governo Lula arrecadou 9,95 bilhões de reais com impostos sobre apostas em 2025.
O problema das bets não está na aposta em si, mas no erro de encará-las como um investimento, que foi alimentado por influenciadores nas redes sociais. A esperança de fazer dinheiro com jogos de azar geralmente termina com o apostador endividado, sem recursos para sequer sobreviver.
Bolsa aposta
Nesse sentido, o papel do governo seria instruir a população sobre a forma correta de lidar com as apostas esportivas, que devem ser vistas como plataforma para diversão e utilizadas com moderação e responsabilidade, como praticamente tudo na vida.
A realidade é bem diferente e trágica: segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), usuários do Bolsa Família teriam gastado 3,7 bilhões de reais em apostas esportivas num único mês.
Essa situação levou a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O Ministério da Fazenda determinou o bloqueio e o encerramento de contas em plataformas de apostas utilizadas por beneficiários de programas sociais. Mas o ministro Luiz Fux atendeu a um pedido da Associação Nacional de Jogos e Loterias e proibiu apenas novas adesões.
Endividamento
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) rebateu a ameaça de Lula de acabar com as bets.
“O encerramento do mercado legal não extinguiria a demanda da sociedade, mas jogaria todos para a informalidade, eliminando os mecanismos de proteção e a expressiva arrecadação destinada a serviços públicos essenciais”, disse o instituto em nota, na qual argumenta que “o mercado ilegal domina cerca de 51% do setor de apostas”.
“Em relação ao endividamento da população, o IBJR entende a sensibilidade do tema e contribui para o debate com dados concretos: um estudo técnico da LCA Consultoria demonstra que o gasto no setor corresponde a uma fatia de 0,2% a 0,5% do consumo das famílias brasileiras”, diz o instituto, que acrescenta:
“Dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) apontam que a principal fonte do superendividamento — que atinge 80,2% das famílias — é o cartão de crédito. Para atuar ativamente na prevenção deste problema, as plataformas regulamentadas (identificadas pelo domínio .bet.br) são proibidas de aceitar pagamentos via cartão de crédito ou criptomoedas.”
O índice de inadimplência atingiu 80,4% das famílias brasileiras em março, patamar recorde.
O governo Lula, que adora incentivar o consumo por meio de crédito, para anestesiar a população com um poder de compra ilusório, prepara agora o programa Desenrola 2.0, para tentar diminuir o fardo que ajudou a colocar sobre as costas de quase todas as famílias do país.
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