Hollywood perde sua força
Profissionais de cinema são forçados a migrar ou mudar de ramo em meio ao esvaziamento da indústria do entretenimento de Hollywood
A economia do entretenimento em Los Angeles passa por um declínio silencioso.
Estúdios migraram para estados ou países por incentivos fiscais mais agressivos, cortes profundos nas produções e desemprego em massa para profissionais criativos transformaram Hollywood em um caso de estudo, segundo análise do Wall Street Journal e corroborado por outros dados.
Desde 2023, com as greves simultâneas de roteiristas e atores, a indústria local perdeu ímpeto.
Estúdios revisaram estratégias de volume para focar mais em rentabilidade, eliminando projetos de risco e terceirizando parte da produção para locais mais baratos.
Em consequência, o número de empregados no setor cinematográfico caiu de 140-150 mil em 2022 para cerca de 100 mil ao final de 2024.
Os custos internos, como mão de obra sindicalizada, impostos mais altos e infraestrutura regulatória tornam inviável competir com estados como Geórgia ou províncias canadenses que oferecem créditos e incentivos tributários e menos barreiras burocráticas.
Essa retração afeta não só animadores, técnicos de som, equipes de arte e roteiristas, mas toda uma cadeia econômica periférica: donos de restaurantes, lojas de adereços, fornecedores de catering e pequenas empresas que dependiam do fluxo de filmagens na região próxima a Hollywood.
O índice de desemprego regional, segundo o WSJ, já supera médias nacionais, 5,7% ante 4,3% nos EUA, e a população do condado de Los Angeles recua, com migração de famílias criativas para estados onde o custo de vida e oportunidades são melhores.
Tentativas de reverter essa situação envolvem o reforço no crédito fiscal estadual para cinema e TV, e propostas de incentivo federal para produção doméstica, mas parte delas exclui custos como salários de estrelas e produtores, limitando seu alcance frente ao apelo que regiões estrangeiras oferecem.
Também há iniciativas punitivas, como a tarifação em 100% para filmes estrangeiros anunciada por Trump, algo vago, já que não respondem a situações complexas, como filmes de estúdios americanos, com atores e roteiristas americanos, filmados no exterior.
Além disso, a automação, especialmente com inteligência artificial generativa (IA) para animação e efeitos visuais e até roteiros e atuação (tema sobre o qual escrevi sobre aqui), desperta preocupações reais sobre a substituição de funções antes consideradas insubstituíveis.
Produções locais despencaram: entre 2021 e 2023, a participação de filmes e séries gravadas em Los Angeles caiu de 23% para 18%, segundo informações da CBS.
Em 2024, foi o pior ano de filmagens externas na Califórnia desde 1993, excluindo o período da pandemia.
O risco é que o ecossistema criativo de Hollywood, composto não só por celebridades, mas por profissionais como cartunistas, roteiristas, produtores, figurinistas, editores etc., sofra um esvaziamento irreversível, corroendo inovação e memória institucional do lugar que já foi o centro mundial do cinema.
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Comentários (2)
Ernesto Herbert Levy
04.10.2025 09:04Fora a adoção de uma agenda identitária contrária à cultura conservadora americana que alienou um público imenso.
Marcia Elizabeth Brunetti
04.10.2025 08:10E o Oscar para Efeitos Especiais vai para… Ih! Essa categoria é melhor tirar.