Do tio Queiroz ao irmão Vorcaro, a evolução de Flávio Bolsonaro, o Tarantino tupiniquim
Como quem fica parado é piano, o bolsokid evoluiu. Cansou de ser corretor de imóveis e vendedor de panetone e partiu para voos maiores
É, meus caros, o fruto não cai mesmo longe do pé. Quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, o atual senador Flávio Bolsonaro empregava em seu gabinete na Assembleia Legislativa o amigo de fé, irmão camarada de seu pai, Jair, Fabrício Queiroz, aquele carequinha simpático que operava as rachadinhas para o bolsokid 01 e pagava a escola das filhas e o plano de saúde do chefe, “esquecendo-se” de cobrar depois.
Parça de décadas do “mito”, Queiroz era também pai de uma personal trainer carioca, lotada no gabinete do Messias, aparentemente uma “funcionária fantasma”, tipo a Wal do Açaí, aquela funcionária da casa de praia do patriarca do clã, que recebia salários pagos com verba parlamentar: “Eu uso o dinheiro pra comer gente”. Lembram-se?
Com um mandado de prisão contra si, Fabrício Queiroz encontrou guarida no cafofo de Atibaia – sim, a mesma Atibaia do sítio da alma mais honesta desse país – do então advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, até ser descoberto e conduzido para uma breve tranca, logo aliviada pelos tentáculos que só Brasília tem.
Família de sorte
Eram tempos prósperos para o clã, que comprava e vendia imóveis – utilizando parte do pagamento em dinheiro vivo – com lucros inimagináveis até mesmo para o mais experiente corretor. Flávio Bolsonaro, especialmente, comprou uma mansão em Brasília por preço considerado abaixo do mercado e a registrou em um cartório fora da capital.
Com renda aparentemente insuficiente, dizia ter sorte nos negócios. À época, era sócio de uma franquia de chocolates, que vendia panetones – inclusive fora de época – como nenhuma outra loja da marca. Além disso, costumava vender boa parte das mercadorias em espécie, ou seja, nada de cartão de crédito ou de débito. Sempre em dinheiro vivo. Acho que não conheciam o PIX, que “o pai inventou”.
Fato é que, com um abraço fraternal entre Jair Bolsonaro e Dias Toffoli, Flavinho Wonka livrou-se das investigações e de um possível processo criminal, e hoje é – ou era até ontem – pré-candidato à Presidência da República. Titio Queiroz foi solto, tentou ser deputado e hoje deve viver de alguma boquinha estatal ou mesada pelos bons serviços prestados.
E o Oscar vai para…
Como quem fica parado é piano, Flávio Bolsonaro evoluiu. Progrediu. Cansou de ser corretor de imóveis e vendedor de ovos de páscoa e partiu para voos maiores. Tornou-se produtor cinematográfico. Se o irmão Dudu Bananinha fez sucesso como chapista de hamburger nos EUA, o agora Flavinho Tarantino pretendia brilhar em Hollywood.
Uma antiga e divertida propaganda mostrava um personagem dizendo: “Não tá fácil pra ninguém”. Pois é. Imaginem o custo de uma superprodução sobre a vida de um político medíocre, trambiqueiro e afeito a golpe de Estado, que, por obra de um atentado à faca, tornou-se o pior presidente que o país já teve – e olha que já tivemos Collor, Sarney e Dilma.
Daí, mais do que depressa, habilidoso que só ele, Flávio Bolsonaro pediu – e levou – alguns milhões de dólares do sujeito mais generoso que o Brasil já conheceu, Daniel Vorcaro, banqueiro ilibadíssimo, sugar daddy de 11 entre 10 deputados, senadores, ministros e outras “otoridades” da capital bananeira, para produzir um longa sobre o papai Jair.
Mas, olha só: dinheiro privado, talkey? Afinal, Lei Rouanet é coisa do PT.
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Comentários (1)
Annie
14.05.2026 10:18Desses presidentes faltou o Nine, mas gostei do texto😂