Dívida pública acende alerta nos EUA e no Brasil

08.10.2026

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O Antagonista
Dívida pública acende alerta nos EUA e no Brasil
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José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 07.09.2026 12:23 comentários
Análise

Dívida pública acende alerta nos EUA e no Brasil

Com realidades diferentes, Brasil e Estados Unidos enfrentam um dilema parecido: o juro sobre a própria dívida se tornou um grande problema

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José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 07.09.2026 12:23 comentários 0
Dívida pública acende alerta nos EUA e no Brasil
Imagem: IA por José Inácio Pilar

Os Estados Unidos bateram um nada invejável recorde simbólico: a dívida pública, hoje em 40 trilhões de dólares, exige, segundo dados do fim de 2025, pagamento de juros equivalente a 18,5% de toda a arrecadação do governo americano, a fatia mais alta desde 1991.

Isso significa que quase um quinto de tudo que o país arrecada serve apenas para pagar os juros da própria dívida, mais do que o orçamento total de defesa, o maior do mundo.

O problema é que a situação atual é pior do que a de 35 anos atrás: naquela época, a dívida em mãos do público equivalia a 44% do PIB americano e agora está prestes a superar 100%, ou seja, mesmo com juros historicamente “normais”, o governo está muito mais exposto a qualquer alta nas taxas.

Esse cenário ganhou um agravante recente: as gigantes de tecnologia que investem pesado em inteligência artificial passaram a competir com o próprio governo por dinheiro no mercado de títulos, emitindo centenas de bilhões de dólares em dívida para financiar seus complexos data centers só no primeiro semestre desse ano.

Isso contribui para aumentar a disputa por recursos no mercado de dívida, como os títulos do Tesouro americano de 10 anos, hoje perto de 4,8%. Analistas apontam 5% como um limite psicológico. Se essa marca for ultrapassada de forma consistente, pode encarecer ainda mais o crédito e ameaçar a sustentação do boom trilionário do setor de inteligência artificial.

O Brasil enfrenta um aperto parecido, guardadas as proporções. A dívida pública bruta do país voltou ao maior nível em cinco anos, alcançando 82,5% do PIB em julho, o equivalente a 10,9 trilhões de reais.

Só neste ano, o indicador já subiu quase 4 pontos percentuais, avanço puxado principalmente pelo pagamento de juros sobre a própria dívida, que sozinho respondeu por mais da metade do aumento.

A taxa Selic, em patamar elevado há tempos e caindo a conta-gotas, torna o custo de carregar essa dívida mais caro a cada mês, dificultando o trabalho do governo para estabilizar as contas públicas.

Ou seja, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil aparece o mesmo mecanismo: dívidas que cresceram tanto que os próprios juros pagos sobre elas viraram o principal motor do problema, criando um ciclo que pode ser difícil de romper.

Isso porque, quanto maior a dívida e maior a percepção de risco sobre a capacidade de manter as contas sob controle, mais juros os investidores tendem a exigir para comprar títulos públicos. O resultado é uma despesa maior com juros, o que pode pressionar ainda mais a dívida, num ciclo vicioso.

A diferença entre os dois países está na escala e no risco percebido pelo mercado. Os Estados Unidos têm muito mais poder econômico e ainda emitem o dólar, a moeda de reserva mundial, o que reduz, mas não elimina, a pressão imediata.

Diante disso, o Tesouro americano chegou a dobrar recentemente o volume de recompra de títulos de longo prazo, numa tentativa de aliviar a pressão sobre os juros dos títulos longos, mas trata-se de um remendo pontual, não de um ajuste real nos gastos do governo.

Já o Brasil, com juros reais elevados e eleição presidencial no horizonte de curto prazo, tem o mercado observando de perto se o atual ou próximo governo mostrará, de fato, compromisso mais firme e duradouro com o arcabouço e ajuste fiscal.

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José Inácio Pilar

Âncora do telejornal diário "Meio Dia em Brasília", também roteiriza e apresenta o programa de entretenimento "Café Antagonista" todos os sábados às 10h e às 16h, além de assinar colunas de automobilismo e de entretenimento.

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