Crusoé: Como as ditaduras morrem

18.02.2026

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Crusoé: Como as ditaduras morrem

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Duda Teixeira
2 minutos de leitura 12.01.2026 10:08 comentários
Análise

Crusoé: Como as ditaduras morrem

O cientista político americano Bruce Bueno de Mesquita estuda processos políticos com base na teoria dos jogos

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Duda Teixeira
2 minutos de leitura 12.01.2026 10:08 comentários 2
Crusoé: Como as ditaduras morrem
Ali Khamenei. Reprodução/redes sociais

O cientista político americano Bruce Bueno de Mesquita, professor na New York University, é conhecido por aplicar a teoria dos jogos para prever o futuro da política.

Uma de suas previsões mais conhecidas se deu em 2009, quando afirmou que o Irã nunca chegaria a concluir a produção de uma bomba nuclear, o que não ocorreu até agora.

Autor do livro Manual dos Ditadores, Bruce também faz previsões sobre como as ditaduras acabam.

Em entrevista para Crusoé, em 2020, ele afirmou:

Em geral, ditadores passam a correr risco quando estão muito velhos ou doentes. Quando isso acontece, seus apoiadores já não esperam ser recompensados no futuro. Às vezes, bastam rumores para que o ditador perca suporte. Em 2017, o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, ficou sem apoiadores, porque eles acharam que ele estava enfermo. O xá Reza Pahlevi não contou com o Exército para reprimir os protestos no Irã, no final dos anos 1970, porque os militares achavam que ele estava morrendo. Uma matéria do New York Times tinha dito que ele estava tentando esconder a evolução de seu câncer”, afirmou Mesquita.

“Um dos erros mais comuns que vejo analistas cometer é pensar que a destruição da economia pode derrubar um ditador. Não é verdade. Na Coreia do Norte, a economia vai muito mal. Mas sempre foi assim. Apesar disso, Kim Il-Sung morreu durante o sono. Seu filho, Kim Jong-il morreu durante o sono. E seu neto, Kim Jong-un, também deve seguir o mesmo caminho. Ele só vai enfrentar problemas se ficar doente ou se as pessoas começarem a achar que sua saúde não está boa. Nesse caso, os militares e os funcionários públicos deixarão de lhe prestar obediência, porque eles saberão que não serão mais recompensados. Começarão a procurar um substituto para o seu líder“, disse o cientista político.

Segundo Mesquita, um ditador deve montar a menor coalizão de governo possível, para não ter de gastar muito na compra de apoio.

Assim, ditadores podem governar para um grupo restrito formado apenas por aqueles que são responsáveis por mantê-lo no poder.

O problema aparece quando…

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Comentários (2)

Edilson

12.01.2026 15:26

E Cuba? exceção à regra?


Luis Eduardo R. Caracik

12.01.2026 12:15

Parece uma tese interessante esta da perda de apoio quando o fim físico se aproxima. Porém, ao longo da minha vida (e tenho mais de 70 anos) vi poucas ditaduras acabarem. Poucas mesmo. Mas vi muitas ditaduras sobreviverem ao passamento dos ditadores, sendo esses substituídos por outros ditadores.


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