Comissão da mulher trans
Liderança não se impõe. Erika Hilton precisará conquistar a legitimidade que a permitiria falar em nome das mulheres na comissão da Câmara
É cínica a reação de boa parte da esquerda identitária aos protestos desencadeados pela eleição de Erika Hilton (Psol-SP, foto) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
A direita aproveita, naturalmente, para desgastar os adversários, mas a questão essencial em debate quando uma mulher trans assume uma posição historicamente ocupada por mulheres se trava entre dois grupos de esquerda — ou progressistas —, afeitos ao discurso de defesa das minorias.
Não se trata, portanto, de reacionarismo ou bolsonarismo, mas do embate entre os defensores de duas minorias. Há uma disputa instalada há anos no progressismo sobre o conceito de mulher, que é desafiado por aqueles que pretendem alargá-lo para além dos limites biológicos.
Limites biológicos
Parte das feministas acredita que isso vai contra os interesses das próprias mulheres, que delimitaram espaços e direitos exatamente a partir dos limites biológicos.
Os esportes femininos existem para que as mulheres possam competir em pé de igualdade. Os banheiros femininos existem para proteger as mulheres de homens mal intencionados.
Sob essa perspectiva, Hilton advoga contra os direitos das mulheres ao defender os direitos das mulheres trans. E é isso que está em debate quando ela assume uma Comissão das Mulheres.
Homens
No limite, um homem poderia presidir a Comissão das Mulheres, desde que conseguisse convencer as mulheres representadas por ele de que faria um bom papel.
Mas essa possibilidade soa praticamente impossível, porque esse é o espaço identitário original.
A representação das mulheres se desenvolveu exatamente a partir da distinção corporal e biológica, simbolizada pela capacidade feminina de gerar vidas, algo que lhe impõe limites físicos.
Hilton está muito longe de se encaixar nesse papel de defensora histórica dos direitos das mulheres — o que por si só já colocaria em questão sua legitimidade como presidente de uma comissão das mulheres —, mas seu caso vai muito além disso.
Chancela?
A deputada federal parece buscar uma chancela formal para sua condição ao se candidatar para presidir a Comissão da Mulher, assim como fazem as mulheres trans que lutam pelo direito de competir entre mulheres biológicas.
A própria Hilton deixou transparecer, na reação aos protestos, que tudo não passa de uma questão pessoal. “Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história”, “Hoje fiz história por mim”, “E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui”, escreveu em seu perfil no X numa reação cheia de ofensas a quem ousou criticá-la.
Mas o pior foi o truculento pedido de prisão do apresentador Ratinho, que se manifestou contra sua eleição na comissão da Câmara, dizendo que “para ser mulher, tem que ter útero”,
Liderança
Liderança não se impõe. Hilton precisa conquistar a legitimidade que a permitirá falar em nome das mulheres na comissão da Câmara, por mais que isso pareça impossível, devido ao conflito essencial sobre aquilo que define uma mulher.
A alternativa seria lutar pela criação da “Comissão da Mulher Trans”.
No fim das contas, trata-se da busca pelo mínimo de dignidade, respeito e proteção a todas, sem que ninguém, mulheres e mulheres tras, saiam prejudicadas. Ou não se trata disso?
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Comentários (7)
Fernando Monteiro
22.03.2026 14:28Não vejo nenhum problema em ter uma trans como presidente da comissão. Podia ser um homem também. Se for bem assessorado(a), pode fazer um bom trabalho. O problema é a Erika ser a presidente. Ela é dona de falas extremamente preconceituosas ao se referir a mulheres - como "pessoas que gestam", "pessoas que menstruam" ou até "imbeCIS", como ela publicou em rede social. Além disso, ela processa por "transfobia" qualquer um que fale contra ela.
Sandra
18.03.2026 18:12Isso foi um total absurdo, ele que proponha criar uma comissão pra trans, não é mulher e nunca vai ser.
segundo uma das celebridades culturais do pt, uma filósófa, prega que o ku é laico, precioso, deve ser respeitado nas tomadas de decisões.
Alice
15.03.2026 12:55Esta pessoa que não gesta não tem condição nenhum de representar mulheres no Congresso
Claudemir Silvestre
15.03.2026 12:17Os ESQUERDEOPATAS estão se fingindo de morto !! A Hipocrisia do discurso da esquerda é tamanha, que se escondem !!
Annie
15.03.2026 11:28Querem mudar a biologia só falta essa.
Aldo
15.03.2026 10:48As pautas das trsnsexuais é em muitos aspectos antagônica as pautas das mulheres. Isso não vai dar certo. Vai ter muita deputada de esquerda que verá que fez bobagem.