Ciúmes dos Bolsonaros e prepotência de Nikolas em rota de colisão
Bolsonaristas afirmam já rancorosos: “Está se achando maior do que é”. Discordo. Nikolas é grande, sim. Maior do que os filhos do “mito”
Como diz a expressão popular, dois bicudos não se beijam. E por que se beijariam? Extremistas, soberbos, vaidosos e gananciosos até podem dividir o mesmo palanque por conveniência, mas jamais por afinidade real. Amor entre bolsonaristas sempre foi contrato de curto prazo.
Se o Poeta falava em “Infinito enquanto dure”, no bolsonarismo isso equivale a um suspiro. Atribui-se ao ex-governador Magalhães Pinto a frase: “Política é como nuvem: você olha, está de um jeito; olha de novo e já mudou.” No bolsonarismo, muda antes mesmo de você piscar.
Quando egos inflados, de pessoas mais rasas que um pires, se encontram, há apenas duas possibilidades: conciliação oportunista de interesses ou explosão inevitável. O deputado federal mineiro Nikolas Ferreira e o clã das rachadinhas entraram, definitivamente, em rota de colisão.
Manda quem pode
Em jogo, como sempre, dinheiro. Muito dinheiro! Fenômeno eleitoral, o novo “bezerro de ouro” da política brasuca poderá puxar uma bancada recorde para o PL de Minas Gerais nas próximas eleições. Estima-se que seus votos sejam capazes de eleger entre 15 e 18 deputados federais em outubro que vem.
Traduzindo em números frios: algo como R$ 1 bilhão em fundo partidário ao longo dos próximos quatro anos. Fora emendas parlamentares e outros butins do nosso sistema bananeiro. É esse o valor real que Nikolas representa para Valdemar Costa Neto, o dono do PL. Convenhamos: o rapaz não é fraco, não.
Há ainda o efeito colateral – ou principal. Nikolas se tornaria a maior liderança política da direita radical no país. Os bolsokids, nesse cenário, murchariam como pétalas de dália ao sol do Saara. O pai, como se sabe, já murchou faz tempo. E se tem algo que a família Bolsonaro não admite, é perda de poder.
Tretando com o ex-amigo
Uma bela reportagem recente de O Fator, parceiro de O Antagonista em Minas Gerais, detalha a treta regional. No plano nacional, o conflito com os filhos de Jair Bolsonaro é público e não mais velado. É notório, recorrente e vem se agravando a cada provocação mal disfarçada.
Os pimpolhos encrenqueiros Eduardo e Carlos Bolsonaro já atacaram Nikolas por causa do PL da Anistia e da Lei Magnitsky. O aliado fez “cara de paisagem” e engoliu seco. Depois, vieram os ataques por ciúme, acusando-o de oportunista e traidor por seus vídeos virais.
Mais recentemente, Flávio Bolsonaro inventou “compromissos inadiáveis” e não apareceu – salvo virtualmente, por mensagem de vídeo – na caminhada messiânica de Paracatu a Brasília, encerrada com um “raio divino de luz e energia elétrica”. Carluxo, diga-se, deu o ar da graça.
O troco vem a galope
Cansado de apanhar calado e prevendo o desfecho óbvio – a conhecida traição bolsonarista, já aplicada a dezenas de ex-aliados tornados inimigos – Nikolas resolveu reagir. Em um podcast, afirmou que não apoiará Flávio Bolsonaro para não carregar o ônus de um eventual fracasso eleitoral.
No mesmo programa, lembrou os ataques que já recebeu dos irmãos Bolsonaro e ameaçou deixar o PL caso ocorra uma migração de não bolsonaristas para o partido em Minas – vide a matéria de O Fator citada acima. Em outras palavras, o jovem deputado colocou o porrete na mesa e deu o recado claro.
Bolsonaristas afirmam já rancorosos: “Está se achando maior do que é”. Discordo. Nikolas é grande, sim. Maior do que os filhos do “mito”. E isso, no bolsonarismo, nunca foi perdoável. Se o entrevero irá terminar em divórcio, tenho certeza. Resta saber quando. Aposto que em breve. Se não agora, em 2028.
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Comentários (3)
Pedro Boer
10.02.2026 15:41Essa reportagem caberia muito bem naquelas revistas de fofocas.
Bolsonaro e seus filhos apagados pelo tempo. A vez é do deputado mineiro.
Bem feito. Nicole é cria dos Bolsonaros. Agora aguentem!