Boulos vai aumentar o preço da entrega do iFood?

16.04.2026

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Boulos vai aumentar o preço da entrega do iFood?

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 12.03.2026 17:56 comentários
Análise

Boulos vai aumentar o preço da entrega do iFood?

Ministro não tem como garantir que preços não subirão caso piso para os entregadores aumente, e nem sequer que os entregadores ganharão mais por mês

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Rodolfo Borges
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Boulos vai aumentar o preço da entrega do iFood?
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (à direita na foto) divulgou um video para “desmentir a nova fake news que começou a circular por aí sobre as entregas por aplicativo”, em meio à tentativa do governo de aumentar o valor pago aos entregadores.

“Pessoal, cuidado, tem uma fake news nova circulando na área sobre os trabalhadores de aplicativo e o iFood. Pessoal, tem gente aqui na internet inventando que o governo está defendendo uma taxa para o consumidor, [que] as pessoas vão ter que pagar mais, encarecer para quem pede comida no delivery, no aplicativo. É mentira, pura e simples”, diz Boulos no vídeo, se explicando:

“Sabe o que nós estamos defendendo? Que os entregadores que trabalham debaixo de chuva e de sol possam ter uma remuneração digna. Essa é uma luta antiga desses motocas e desses trabalhadores que o governo do presidente Lula a abraçou essa luta.”

Aumento

O ministro destaca que o iFood paga atualmente 7,50 reais como remuneração mínima em entregas de até 4 quilômetros. O governo Lula quer elevar esse valor para 10 reais, além de aumentar de 1,50 real para 2,50 reais o mínimo por quilômetro adicional.

Segundo Boulos, “isso não reflete no preço final da entrega”, porque o “maior ganho da plataforma do iFood, da 99, é a taxa que eles cobram do restaurante”, de 28% a 30% do valor da entrega.

O ministro parte, na sequência do vídeo, para a política mais escancarada, dizendo que “toda vez que alguém defende dignidade para o trabalhador, dizem: ‘Preço vai aumentar, é taxa'” e mencionando a proposta de fim da escala 6×1, também defendida pelo governo Lula.

Funciona?

O discurso é sempre muito bonito, mas o fato é que Boulos não tem como garantir que o valor das entregas não subirá — a elevação do preço seria a consequência lógica, aliás.

Pior: um estudo recente, feito por três pesquisadores da Carnegie Mellon University em Seattle, nos Estados Unidos, sugere que nem sequer a meta de elevar o rendimento dos entregadores seria atingida com esse aumento do valor mínimo pago por cada entrega.

Os pesquisadores analisaram dados do Gridwise, um aplicativo que rastreia a atividade de trabalho por demanda em diversas plataformas. Foram analisadas 2,8 milhões de tarefas concluídas por quase 6.000 trabalhadores no estado de Washington, de agosto de 2023 a julho de 2024.

O padrão de pagamento mínimo médio dobrou, de 5,37 dólares para 12,52 dólares, após uma portaria que entrou em vigor em janeiro de 2024. Resultado: menos gorjetas, menos entregas —  pelo aumento da concorrência entre entregadores—  e nenhum aumento líquido nos ganhos mensais.

“Mais tempo ocioso não remunerado”

“Encontramos evidências de que os motoristas experimentaram mais tempo ocioso não remunerado e percorreram distâncias maiores entre as tarefas, mas não encontramos evidências de que os motoristas reduziram o tempo total de trabalho em aplicativos de entrega e apenas evidências limitadas de migração do trabalho de entrega para o de transporte por aplicativo”, dizem os autores da pesquisa.

A conclusão do trabalho é uma péssima notícia para o governo Lula e o PT, que tentam se aproximar dos trabalhadores de aplicativo há anos pensando que ainda lidam com metalúrgicos:

“Usando um modelo simples do mercado de trabalho para motoristas de aplicativos de entrega, mostramos que nossas evidências são consistentes com a hipótese de que a livre entrada de motoristas no mercado de entregas reduz a taxa de disponibilidade de tarefas até que os ganhos esperados retornem ao nível pré-reforma. Essas descobertas destacam os desafios de aumentar a remuneração em mercados pontuais para tarefas onde há livre entrada de trabalhadores.”

Leia mais: Boulos prega luta de classes no Uber

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (2)

Lindberg Garcia

14.03.2026 14:49

Como? O governo pretende interferir em uma empresa privada? Será que querem transformar o iFood num Correios?


Marian

12.03.2026 18:23

Parece que está tentando. Muitos perderão o emprego e viverão de bolsa. Por que isso em 2026?


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