Bolsonarismo não vende futuro
Por mais que tente projetar preocupação com a situação do país, Flávio Bolsonaro não tem como esconder que sua principal missão é salvar o pai
O Brasil parte para sua segunda eleição presidencial seguida olhando para o passado.
Por mais que tente projetar alguma preocupação com o futuro do país, principalmente no contraste com a política econômica irresponsável de Lula, como detalhou a reportagem de capa de Crusoé, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, à direita na foto) não tem como esconder que a missão principal de sua candidatura é salvar o pai, e isso ficou claro em mais uma manifestação na avenida Paulista.
De todos os que discursaram em São Paulo no domingo, 1º de março, o governador Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, foi o mais claro sobre isso, ao repetir que, caso eleito presidente, sua primeira medida seria decretar anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023.
O discurso de Nikolas Ferreira (PL-MG, à esquerda na foto) é mais sofisticado.
Futuro do bolsonarismo
O deputado federal convocou a manifestação contra Lula e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, de cujos erros e falhas depende o futuro eleitoral do bolsonarismo, e disse que a meta é derrubar o veto presidencial ao PL da Dosimetria.
É natural que o movimento em torno do ex-presidente condenado por tentativa de golpe esteja escorando no contraste com o péssimo governo Lula, que lhe deu ânimo e moral nas últimas semanas com erros como o desfile de Carnaval da rebaixada Acadêmicos de Niterói.
O alinhamento lulista ao Irã também deve beneficiar Flávio, que cresce nas pesquisas a partir do desgaste do petista, mas o fato é que Jair Bolsonaro serve à pré-candidatura do filho, ao mesmo tempo, de propulsor e âncora: transfere votos, mas o mantém atrelado a algo que precisa ser resolvido — e não é exatamente a situação da economia brasileira.
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Vício de origem
Em 2022, Lula concorreu sob a alegação de que salvaria o país do autoritarismo de Bolsonaro, mas, no fundo, apenas tentava limpar a própria biografia após ter sido preso por corrupção.
Esse vício de origem é a razão do fracasso de seu governo. E ameaça ser também um fardo que Flávio carregará caso venha a ser eleito, inclusive e principalmente na relação com o STF, que o filho 01 de Bolsonaro tenta claramente modular e meio às críticas mais frontais de seus aliados.
A mobilização de parte da direita brasileira por uma candidatura sem o sobrenome Bolsonaro tentava escapar desse apego ao passado, para liberar o país para uma perspectiva de futuro fora da dicotomia entre lulismo e bolsonarismo. Mas a família tem outras prioridades.
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