Aquilo que traz orgulho a Lula, envergonha o Brasil

15.02.2026

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O Antagonista

Aquilo que traz orgulho a Lula, envergonha o Brasil

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Ricardo Kertzman
5 minutos de leitura 30.07.2025 11:49 comentários
Análise

Aquilo que traz orgulho a Lula, envergonha o Brasil

“Nunca antes na história desse país” cobramos tantos impostos, pagamos tantos juros, devemos tanto dinheiro e não entregamos nada

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Ricardo Kertzman
5 minutos de leitura 30.07.2025 11:49 comentários 6
Aquilo que traz orgulho a Lula, envergonha o Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Há 45 anos, o chamado PIB per capita por paridade do poder compra, que significa, grosso modo, a relação entre o rendimento e a capacidade de consumo médios das pessoas de um país em relação a outras, de outros, colocava o Brasil no 48º lugar do ranking, exatas 22 posições acima da linha de corte, que divide os países mais ricos dos mais pobres. 

Dez anos depois, o Brasil caiu nove posições e foi parar no 55º lugar, mas ainda 20 posições acima das nações mais pobres. Dez anos à frente, passamos para 71º lugar e fomos caindo, sucessivamente, até ocuparmos, hoje, a 87º posição, com previsão de caírmos mais duas, para 89º, em 2029, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Estes dados, que foram apresentados dias atrás pelo jornalista Eduardo Oinegue, da Band News, mostram que o Brasil, hoje, está apenas nove posições acima da linha que o separa da metade inferior – os países mais pobres do mundo. Ou seja, em quatro décadas e meia, não apenas não enriquecemos como empobrecemos substancialmente.

Presos no labirinto do atraso

Neste período, experimentamos “de tudo um pouco”. Abandonamos uma ditadura militar, elegemos presidentes, adotamos uma nova constituição, trocamos de moeda três – ou seriam quatro? – vezes, vencemos a hiperinflação, fomos governados pela esquerda e pela direita, e migramos do presidencialismo para uma espécie de parlamentarismo extraoficial.

Nossa população aumentou em quase 100 milhões de pessoas, e ainda que nossa renda per capita tenha subido, em relação ao planeta andamos como um cágado idoso, usando bengala. “Ah, estamos entre as dez maiores economias do mundo”. Bem, ainda assim, os demais cresceram, em média, pela paridade do poder de compra, muito mais que a gente.

Ostentamos índices vergonhosos, como mais da metade dos lares sem saneamento básico. Nossa taxa de analfabetismo e analfabetismo funcional nos coloca dentre as piores nações do globo. Número de mortes violentas, número de mortes por acidente de trânsito, taxa real de juros… Escolham o tema e lá estaremos dentre as piores colocações no mundo.

Uma culpa, muitos culpados

Em 1980, a renda per capita da Coreia do Sul era 17% da renda per capita americana. A do Brasil, 25% em valores absolutos. Ou seja, éramos mais ricos que os sul-coreanos. Hoje, a renda per capita dos asiáticos é 45% a dos americanos e a nossa, 14%. O nosso mesmo empobrecimento relativo ocorre igualmente em relação à Irlanda, Israel, Espanha, China, Índia…

A culpa não é de um governo ou de um grupo político, mas do conjunto da sociedade, inclusive das elites política, empresarial, artística e intelectual. Como nação, escolhemos o compadrio, o corporativismo, o patrimonialismo e a impunidade. Adotamos, sustentamos e mantemos um sistema político eleitoral que, no limite, nos mantém reféns de nós mesmos.

Neste sentido, nos cabe apenas identificar e analisar os piores, dentre os piores, e os menos piores, dentre os mesmos piores. Assim, forçoso reconhecer que o lulopetismo merece o troféu “péssimo dos péssimos”, pois está no quinto mandato – não consecutivo -, tendo governado o país por 16 dos últimos 23 anos, sempre liderado por Lula da Silva.

Não aprende nada, não esquece nada

Estes dias, ao ouvir o presidente da República anunciar triunfante, orgulhoso e heróico, mais um programa assistencialista eleitoreiro, desta vez, gás gratuito para mais de 15 milhões de pobres, como outro dia foi energia elétrica, também gratuita, para mais de 60 milhões de brasileiros, me lembrei do comentário acima (do meu colega jornalista).

O governo, ou melhor, o governante, que suga mais de 30% da riqueza da sociedade em impostos acachapantes, majoritariamente para sustentar uma casta privilegiada de servidores públicos e de empresários amigos, além de pagar aposentadorias humilhantes aos “comuns” – e milionárias aos apaniguados -, acredita-se benevolente e “pai dos pobres”.

Este mesmo governante, que estoura as contas públicas, obrigando o Banco Central a remunerar a ínfima porção de quem tem dinheiro aplicado no país com juros estratosféricos, jacta-se por retirar parte dos miseráveis da miséria para, anos depois, quando ocupar o poder, fazer o mesmo: retira hoje, recoloca amanhã e retira novamente depois de amanhã.

Vergonha, não orgulho

Este círculo vicioso perverso de perpetuação da pobreza, combinado com a quase equivalente perpetuação no poder do lulopetismo que, se não é o único responsável, como já dito, é o principal, tem em sua raiz fraturas culturais estruturais até então insanáveis, originadas e originárias do patrimonialismo conveniente da classe política brasileira.

Quando Lula humilha uma senhora pobre, zombando de sua falta de dentes, prometendo uma dentadura nova – com o dinheiro dela mesma -, ou distribui – sempre com o dinheiro alheio – fraldas geriátricas, para além do ato populista messiânico, aprisiona os pobres em um modelo de sociedade em que o Estado que os empobrece é o Estado que lhes auxilia.

O lulopetismo deveria se envergonhar de suas não conquistas (desenvolvimento econômico e social do país) e de suas conquistas (empobrecimento contínuo da nação e do povo). Mas, ao contrário, triunfante, alardeia que “Nunca antes na história desse país” cobramos tantos impostos, pagamos tantos juros, devemos tanto dinheiro e não entregamos nada.

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Ricardo Kertzman

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Comentários (6)

Amaury G Feitosa

31.07.2025 15:57

Óbvio que há diferença, e muita, no que pensa o algoz e a vítima.


Sandra

30.07.2025 21:11

Perfeito Fábio, parabéns


Ademir Fenicio

30.07.2025 18:08

Durante minha longa vida, conheci pela imprensa, Homens Públicos (Políticos) Respeitáveis, Dignos, Honestos, em quem o povo brasileiro confiava e depositava esperança de dias melhores. Com a chegada do pt o Brasil degringolou na ignorância e na corrupção generalizada, degradou todas as instituições públicas. Atualmente é dificílimo identificar um homem público culto, digno, honrado, respeitável, confiável.


Roberto Jose Veras De Sousa

30.07.2025 15:31

Parabéns ao Ricardo pelo texto e Fábio Morais, pelo comentário.


Fábio Morais

30.07.2025 13:54

E seja pela esquerda, pela direita, pelo centro, de baixo para cima, de cima para baixo e diagonalmente, com aval do Congresso, dominado por corruptos, irresponsáveis, demagogos, mesquinhos e ignorantes, sob aplausos de acadêmicos de subúrbio, carentes de leitura, de cultura e de capacidade cognitiva ao menos mediana, exultados pela classe artística entorpecida por drogas ingeríveis, injetáveis e inaláveis, defendidos pela imprensa venal, alienada, ideologicamente sectária e passional, continuamos criando e renovando os ardis maldosamente chamados de políticas públicas de transformação e inclusão social e econômica, que verdadeiramente não passam de ardis eleitoreiros que perpetuam e alastram a miséria, cooptam os milhões que são enredados nessas armadilhas torpes por preguiça, acomodação e venalidade geracional, empobrecem quem é competente, disposto, tem dignidade real e acredita nos benefícios do trabalho, inviabiliza as empresas, endivida a Nação e afasta os mais abastados desse cenário pavoroso e repugnante.


Marcos Rezende

30.07.2025 13:18

Perfeito. E muito triste.


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